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A “esperada” redução de 20 por cento no dispositivo de combate a incêndios em 2011, por causa da crise, obriga o país a concentrar-se na “prevenção”, desde logo na limpeza dos terrenos, sustentou hoje a Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (AsproCivil). Perante a perspetiva de um corte de seis milhões de euros na verba para a contratação de meios aéreos, a Proteção Civil propõe-se “flexibilizar mais as equipas”.

A austeridade orçamental chega também ao dispositivo de combate a incêndios florestais. No ano passado, 56 aviões e helicópteros participaram nas operações. Quarenta e sete foram contratados. Em 2011, os cortes obrigam a uma redução de 20 por cento nos meios – menos seis milhões de euros para o dispositivo aéreo. Os números foram confirmados no domingo pelo presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Para a AsproCivil, a quebra impõe maior atenção à prevenção. Ricardo Ribeiro, o presidente da Associação de Técnicos de Segurança e Proteção Civil, admite que a redução orçamental “já era esperada no contexto da atual crise”. Agora, argumenta, é “determinante” que se comece “já a pensar na prevenção, nomeadamente com a limpeza do combustível nas zonas verdes”. “Não envolve assim tantos custos e os municípios, as associações de agricultores e os próprios agricultores e proprietários deveriam desde já começar a fazer isso”, advogou o responsável, citado pela agência Lusa.

 

A “situação”, reconhece Ricardo Ribeiro, “não é positiva, obviamente”. Mas “pode ser grave ou suportável”. “Os meios aéreos são sempre os mais caros para o Estado e o contribuinte português”, prosseguiu. Mas são igualmente “um meio importante de combate aos incêndios”. Razão pela qual os cortes podem colocar “algumas condicionantes e limitações ao ataque direto ao incêndio”, sobretudo quando “houver vários incêndios grandes ao mesmo tempo”.
 
“A nossa grande preocupação enquanto técnicos de Proteção Civil é que o Governo atue imediatamente, obrigando câmaras, associações de agricultores e proprietários a fazer aquilo que a lei já obriga há vários anos, a limpeza e medidas de prevenção de incêndios, mas que nunca é cumprido e que depois se traduz no agravar da dimensão e intensidade dos incêndios”, insistiu o presidente da AsproCivil.
 
“Flexibilizar mais as equipas”
 No domingo, à margem da cerimónia de comemoração dos 125 anos dos Bombeiros Voluntários de Viseu, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil confirmou que está prevista uma redução “na casa dos 20 por cento”, em “termos orçamentais”, para o dispositivo de combate a incêndios. “Um facto” que deverá ditar uma flexibilização das equipas, segundo o general Arnaldo Cruz. Em suma, operar “de acordo com o risco maior nuns distritos e nalguns meses”, procurando “colocar as equipas de acordo com a evolução do tempo”.

“Estamos a equacionar um dispositivo igualmente capaz como nos anos anteriores, eventualmente mais flexível quando não houver meios aéreos em sítios que eventualmente estariam previstos, pois, naturalmente, encontraremos formas de colocar equipas de resposta imediata. De resto, estamos a fazer essa análise e esse trabalho. Havendo, esse é um facto, uma redução do número de meios aéreos previstos relativamente ao ano passado, encontraremos com certeza soluções que possam suprir essa falta”, adiantava ontem Arnaldo Cruz, em declarações recolhidas pela rádio TSF.
 
Já o vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, presente no mesmo evento, considerou existirem “razões para preocupação”, perante as previsões de um verão “muito quente”. Ainda assim, asseverou Rui Silva, “os bombeiros portugueses não vão deixar o país descalço”.
 
O presidente da Proteção Civil sublinhou, por seu turno, que “todos os anos se diz que a próxima época de fogos será a mais quente”, mas não há “garantias”. “O que as pessoas dizem é que, como tem chovido muito, a erva crescerá e, associando dias de calor a material seco, pode levar a que alguns incêndios possam assumir maiores dimensões”, concluiu.

Fonte: RTP

 

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